Posted by Alexandre Pedroso Arantes on Segunda, 24 de agosto de 2015
Convido você a conhecer a beleza do trabalho da Igreja Católica Apostólica Romana, instituída pelo próprio Jesus Cristo, pelo mundo todo.
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Por: José Vicente Ucha Campos
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terça-feira, 13 de outubro de 2015
IGREJA CATÓLICA - A MAIOR INSTITUIÇÃO DE CARIDADE DO MUNDO
A Igreja Católica é a mais antiga
instituição da humanidade. Com 1,2 bilhão de fieis, é a maior família religiosa
e a maior instituição de caridade do planeta. Segundo revelam os dados do
último “Anuário Estatístico da Igreja”, publicado pela Agência Fides por ocasião
da Jornada Missionária, a Igreja administra 115.352 Institutos sanitários, de
assistência e beneficência em todo o mundo.
Deste número:
- 5.167 hospitais (a maior parte na América, 1.493 e 1.298 na África);
- 17.322 dispensários, a maioria na África, 5.256, América 5.137 e Ásia 3.760;
- 648 leprosários distribuídos principalmente na Ásia (322) e África (229);
- 15.699 casas para idosos, doentes crônicos e deficientes – Europa (8.200) e América (3.815);
- 10.124 orfanatrófios, principalmente na Ásia (3.980) e América (2.418);
- 11.596 jardins da infância, a maior parte na América (3.661) e Ásia (3.441);
- 14.744 consultores matrimoniais, distribuídos no continente americano (5.636) e Europa (6.173);
- 3.663 centros de educação e reeducação social, além de
- 36.386 instituições de outros tipos.
No campo da instrução e da educação,
a Igreja administra no mundo:
- 68.119 escolas maternais, frequentadas por 6.522.320 alunos;
- 92.971 escolas primárias onde estudam 30.973.114 alunos;
- 42.495 escolas superiores médias com 17.114.737 alunos. Além disso, acompanha
- 2.288.258 jovens de escolas superiores e
- 3.275.440 estudantes universitários.
Com todas essas instituições, a
Igreja Católica é um parceiro fantástico na prestação de serviços de saúde das
nações pobres. Ela atua em áreas remotas e em favor das camadas mais pobres da
população, permitindo- lhes, assim, aceder a esses serviços que de outro modo
estariam além do seu alcance. E esse grande trabalho merece reconhecimento e
apoio não só dos governos, mas de todo cidadão.
Como a caridade Católica mudou o
mundo
No início do século IV, a fome e a
doença assolavam exército do imperador Constantino. Pacômio, um soldado pagão,
observava com assombro como muitos dos seus companheiros romanos ofereciam
comida e assistência aos que precisavam de ajuda, socorrendo-os sem qualquer
discriminação. Cheio de curiosidade, quis saber quem eram essas pessoas e
descobriu que eram cristãos. Que tipo de religião era aquela, admirou-se, que
podia inspirar tais atos de generosidade e humanidade? Começou a instruir-se na
fé e, antes de o perceber, já estava no caminho da conversão.(1)
Esse mesmo sentimento de assombro,
continuaram a suscitá-lo as obras de caridade catóicas através dos tempos. O
próprio Voltaire, talvez o mais prolífico propagandista anti-católico do século
XVIII, se mostrou respeitosamente admirado com o heróico espírito de sacrifício
que animou tantos dos filhos e filhas da Igreja. “Talvez não haja nada maior na
terra – disse ele – que o sacrifício da juventude e da beleza com que belas jovens,
muitas vezes nascidas em berço de ouro, se dedicam a trabalhar em hospitais
pelo alívio da miséria humana, cuja vista causa tanta aversão a nossa
sensibilidade. Tão generosa caridade tem sido imitada, mas de modo imperfeito,
por gente afastada da religião de Roma”(2).
Exigiria volumes sem conta elaborar
uma lista completa das obras de caridade católicas promovidas ao longo da
história por pessoas, paróquias, dioceses, mosteiros, missionários, frades,
freiras e organizações leigas. Basta dizer que a caridade católica não tem
paralelo com nenhuma outra, em quantidade e variedade de boas obras, nem no
alivio prestado ao sofrimento e miséria humanos. Podemos ir mais longe e dizer
que foi a Igreja Católica que inventou a caridade tal como a conhecemos no Ocidente.
Tão importante como o puro volume das
obras de benemerência é a diferença qualitativa que distinguiu a caridade da
Igreja daquela que a havia precedido. Seria tolice negar que os grandes
filósofos antigos proclamaram nobres sentimento traduzidos em filantropia; ou
que homens de valor fizeram importantes e substanciais contribuições em prol
das suas comunidades.
Não obstante, o espírito de caridade
no mundo antigo era em certo sentido, deficiente, se compararmos com aquele que
foi praticado pela Igreja. A maior parte dos gestos de generosidade nos tempos
antigos envolvia um interesse próprio, não eram puramente gratuitos. Os
edifícios financiados pelos ricos exibiam ostensivamente os seus nomes. As
doações eram feitas de modo a deixar os beneficiários em dívida para com os
doadores, ou então atraíam as atenções para as suas pessoas e a sua grande
liberalidade. Servir de coração alegre os necessitados e ampara-los sem nenhuma
expectativa de recompensa ou reciprocidade, não era certamente o princípio que
prevalecia.
Cita-se por vezes o estoicismo – uma
antiga escola de pensamento que remonta mais ou menos ao ano 300 a .C. e que
permanecia viva nos primeiros séculos da era cristã. Os estóicos ensinavam que
homem bom era aquele que, como cidadão do mundo, cultivava o espírito de
fraternidade para com seus semelhantes e, por essa razão, parecia ser
mensageiro da caridade. Mas também ensinavam que era preciso suprimir os
sentimentos e emoções como coisas impróprias de um homem. Rodney Stack diz que
a filosofia clássica “considerava a piedade e a compaixão como emoções
patológicas, defeitos de caráter que os homens racionais deviam evitar”(3)
Assim o filósofo romano Sêneca escreveu:
“O sábio poderá consolar aqueles que
choram, mas sem chorar com eles; Não sentirá compaixão. Socorrerá e fará o bem
porque nasceu para assistir os seus semelhantes. O seu rosto e sua alma não
denunciarão nenhuma emoção quando olhar para o aleijado, o esfarrapado, o
encurvado. Só os olhos doentes se umedecem ao verem lagrimas em outros
olhos.”(4)
Entre muitos exemplos de estoicismo,
ressalta o de Anaxágoras, um homem que, ao ser informado da morte de seu filho,
se limitou a observar: “Eu nunca pensei que tivesse gerado um imortal”. Era
simplesmente lógico que aqueles homens, tão impermeáveis à realidade do mal,
fossem indolentes na hora de aliviar os seus efeitos sobre seus semelhantes:
“Homens que se recusam a reconhecer a dor e doença como males – anota um
observador – também estavam pouco propensos a aliviá-las aos outros”.(5)
O espírito de caridade na Igreja
nasceu da inspiração do próprio ensinamento de Cristo: (Jo 13,34-35; cfr. Ti
4,11). São Paulo afirmou que os cuidados e caridade dos cristãos deviam ser
oferecidos mesmo aos que não pertencessem a comunidade dos fiéis, ainda que inimigos
da fé: (cfr. Rom 12,14-20; Gal 6,10).
De acordo com William Lecky, critico
severo da Igreja, “não se pode sustentar nem na pratica nem na teoria, nem nas
instituições fundadas, nem no lugar que a ela foi atribuído na escala dos
deveres, que a caridade ocupasse na Antiguidade um lugar comparável aquele que
atingiu.
Os pobres e doentes
A prática de oferecer dádivas
destinadas aos pobres desenvolveu-se cedo na história da Igreja. Os primeiros
cristãos que jejuavam com freqüência, doavam aos pobres o dinheiro que teriam
gasto com a comida. São Justino Mártir relata que muitas pessoas que tinham
amado as riquezas e as coisas materiais antes de se converterem, agora se
sacrificavam de ânimo alegre pelos pobres. Os próprios Padres da Igreja, que
legaram um enorme corpo literário e erudito a civilização ocidental,
encontraram tempo para se dedicarem pessoalmente ao serviço dos seus
semelhantes. São João Crisóstomo fundou uma série de hospitais em
Constantinopla. São Cipriano e Santo Efrém empenharam-se em promover obras de
assistência em tempos de fome e de epidemias.
A Igreja primitiva institucionalizou
a atenção às viúvas e aos órfãos, bem como aos enfermos, especialmente durante
as epidemias. No século III, São Cipriano, bispo de Cartago, repreendeu a
população pagã porque, em vez de ajudar as vítimas da praga, as saqueava. Esse
Padre da Igreja conclamou os cristãos a mobilizar-se para assistir os doentes e
enterrar os mortos. No caso de Alexandria, o bispo Dionísio relatou que os
pagãos “repeliam os que começassem a ficar doentes, afastavam-se deles, mesmo
que se tratasse dos amigos mais queridos”. Em contraste, relatou que muitos
cristãos “não fugiam de amparar-se uns aos outros visitavam os doentes sem
pensar no perigo que corriam e serviam-nos assiduamente”.
Santo Efrém é lembrado pelo seu
heroísmo quando a fome e a peste se abateram sobre Edessa, a cidade em cujos
arredores vivia como eremita. Não apenas coordenou a coleta e distribuição de
esmolas, mas também fundou hospitais, cuidou dos doentes e dos mortos. Eusébio,
o historiador da Igreja do século IV, conta-nos que, como resultado do bom
exemplo dos cristãos, muitos pagãos “se interessaram por uma religião cujos
discípulos eram capazes de uma dedicação tão desinteressada”. Juliano, o
Apóstata, que odiava o cristianismo, lamentou a bondade dos cristãos para com
os pagãos: “Esses ímpios galileus não alimentam apenas os seus próprios pobres,
mas também os nossos.”
Os primeiros hospitais e os
cavaleiros
Discute-se se existiram na Grécia e
em Roma instituições semelhantes aos nossos hospitais. Muitos historiadores
põem-no em dúvida, enquanto outros apontam alguma rara exceção aqui e acolá,
mas mais para cuidar dos soldados doentes ou feridos do que da população em
geral. Parece dever-se a Igreja a fundação das primeiras instituições atendidas
por médicos, onde se faziam diagnósticos, se prescreviam remédios e se contava
com um corpo de enfermagem (6).
No século IV, a Igreja começou a
patrocinar a fundação de hospitais em larga escala, de tal modo que quase todas
as principais cidades acabaram por ter o seu. Na sua origem, esses hospitais
tinham por fim hospedar estrangeiros, mas depois passaram a cuidar dos
doentes, viúvas, órfãos e pobres em geral (7).
Como explica Guenter Risse, os
cristãos ultrapassaram “a recíproca hospitalidade que prevalecia na antiga
Grécia e as obrigações familiares dos romanos” para cuidarem de atender “grupos
sociais marginalizados pela pobreza, doença e idade” (8). No mesmo sentido, o
historiador da medicina Fielding Garrison observa que, antes do nascimento de
Cristo, “O espírito com que se tratava a doença e o infortúnio não era o de
compaixão, e cabe ao cristianismo o crédito pela solicitude em atender o
sofrimento humano em larga escala” (9).
Em um ato de penitência cristã, uma
mulher chamada Fabíola fundou o primeiro grande hospital público em Roma;
percorria as ruas em busca de homens e mulheres pobres e enfermos necessitados
de cuidados (2110).
São Basílio Magno, conhecido pelos
seus contemporâneos como o Apóstolo das Esmolas, fundou um hospital em Cesárea,
no século IV. Era conhecido por abraçar os leprosos miseráveis que ali
buscavam alívio. Não é de surpreender que os mosteiros também desempenhassem um
papel importante no cuidado dos doentes (11). De acordo com o mais completo
estudo da história dos hospitais:
“Após a queda do Império Romano, os
mosteiros tornaram-se gradualmente provedores de serviços médicos organizados,
dos quais não se dispôs por vários séculos em nenhum lugar da Europa. Para
prestar esses cuidados práticos, os mosteiros tornaram-se também lugares de
ensino medico entre os séculos V e X” (12).
As ordens militares, fundadas durante
as Cruzadas, administravam hospitais por toda a Europa. Uma dessas ordens, a
dos Cavaleiros de São João (também conhecidos como hospitalários). Fundou um
hospital em Jerusalém no qual atendia pobres e peregrinos. Segundo um sacerdote
alemão “A casa alimentava tantas pessoas, de fora e de dentro, e dava tão
grande quantidade de esmola aos pobres.” Teodorico de Wurzburg, maravilhou-se
de que “andando pelas dependências do hospital, não conseguíamos de modo algum
avaliar o número de pessoas que lá jaziam, pois eram milhares as camas que
víamos. Nenhum rei ou tirano teria poder suficiente para manter o grande número
de pessoas alimentadas diariamente naquela casa”(13).
Diz Gunter Risse: “A existência de
uma ordem religiosa que manifestava com tanto ardor a sua lealdade aos doentes
inspirou a criação de uma rede de instituições similares, especialmente nos
portos da Itália e do sul da França…”
As obras de caridade cató1icas foram
tão impressionantes que ate os próprios inimigos da Igreja, muito a
contragosto, tiveram de reconhecê-lo. O escritor pagão Luciano (130-200)
observou com espanto: “E inacreditável a determinação com que as pessoas dessa
religião se ajudam umas as outras nas suas necessidades. Não se poupam em nada,
o seu primeiro legislador meteu-lhes na cabeça que eles eram todos irmãos!”[14]
Juliano, o Apóstata, o imperador
romano que, nos anos 360, fez a violenta, mas frustrada, tentativa de fazer o
Império retornar ao seu primitivo paganismo, admitiu que os cristãos se
avantajavam aos pagãos no seu devotamento às obras de caridade. “Enquanto os
sacerdotes pagãos negligenciam os pobres – escreveu -, os odiados galileus [isto
é, os cristãos] devotam-se às obras de caridade e, em um alarde de falsa
compaixão, introduzem com eficácia os seus perniciosos erros. Vede os seus
banquetes de amor e as suas mesas preparadas para os indigentes. Tal prática é
habitual entre eles e provoca desprezo pelos nossos deuses”[15].
Martinho Lutero, o mais inveterado
inimigo da Igreja Católica até o fim da vida, viu-se obrigado admitir: “Sob o
Papado, o povo era ao menos caridoso e não havia necessidade de recorrer à
força para obter esmolas. Hoje sob o reinado do Evangelho (com isso, referia-se
ao protestantismo), em vez de dar, as pessoas roubam-se umas as outras, parece
que ninguém julga possuir alguma coisa enquanto não se apropria dos bens do
vizinho”[16].
O economista do século XX Simon
Patten observou a propósito da ação da Igreja: “Na Idade Media, era muito comum
dar comida e abrigo aos trabalhadores, tratar com caridade os desafortunados e
aliviá-los das doenças, das pragas e da fome. Quando vemos o número de
hospitais e enfermarias, a magnanimidade dos monges e o sacrifício pessoal das
freiras, não podemos duvidar de que os marginalizados daqueles tempos eram
pelo menos tão bem assistidos como os de agora”[17].
Frederick Hurter, um biógrafo do
papa Inocêncio III no século XIX, chegou a declarar: “Todas as instituições de
beneficência que a raça humana possui hoje em dia para minorar a sorte dos
desafortunados, tudo o que tem sido feito para socorrer os indigentes e os
aflitos nas vicissitudes das suas vidas e em qualquer tipo de sofrimento,
procede direta ou indiretamente da Igreja de Roma. Ela deu o exemplo,
perseverou na sua tarefa e, com freqüência, proporcionou os meios necessários
para leva-la a cabo”[18].
A extensão das atividades caritativas
da Igreja aprecia-se às vezes com mais clareza quando deixam de existir. Na
Inglaterra do século XVI, por exemplo, o rei Henrique VIII (separou da Igreja
Católica) suprimiu os mosteiros e confiscou-lhes as propriedades,
distribuindo-as a preço de banana entre os homens influentes do seu reino. O pretexto
para essa medida foi que os mosteiros se haviam tornado fonte de escândalo e
imoralidade, embora restem poucas dívidas de que tais acusações fantasiosas não
faziam mais do que dissimular a cobiça real. As consequências sociais da dissolução
dos mosteiros devem ter sido muito significativas. Os Levantes do Norte de
1536, uma rebelião popular também conhecida como a Peregrinação da Graça,
tiveram muito a ver com a ira popular causada pelo desaparecimento da caridade
monástica. Em uma petição dirigida ao rei dois anos mais tarde, observava-se:
“A experiência que tivemos com a
supressão dessas casas mostra-nos claramente que se provocou e continuará a
provocar-se neste reino de Vossa Majestade um grande mal e uma grande
deterioração, assim como um grande empobrecimento de muitos dos vossos humildes
súditos.”
Referências
(1) Alvin J.
Schmiclt, Under the Influence: How Christianitv Transformed Civilization,
Zonclcrvan, Grancl Rapids, Michigan, 200 I, pag .. J 30.
(2) Michael Davies, For Altar and Throne: The Rising in the Vendee, Rill nant
Press, St. Paul, Minnesota, 1997, pag. 13.
(3) Vicent Carroll e David Shiflett, Christianity on Trial, Encounter Books,
San Francisco, 2001, pág. 142.
(4) William Edward Hartpole Lecky, History of European Morals from Augustus to
Charlemagne, vol. 1, D. Appleton and Co., New York, 1870, págs. 199-200.
(5) Ibid., pág. 202.
(6) Alvin J. Schmidt, Under the Influence, págs. 153-5.
(7) John A. Ryan, “Charity and Charities”, em Catholic Enciclopedia; Guenter B.
Risse, Mending Bodies, Saving Souls: A History of Hospitals, Oxford University
Press, New York, 1999, págs. 79 e segs.
(8) Guenter B. Risse, Mending Bodies, Saving Souls, pág. 73.
(9) Fielding H. Garrison, An Introduction of the History of Medicine, W.B.
Saunders, Philadelphia, 1914, pág. 118; citado em Alvin J. Schmidt, Under the
Influence, pág. 131.
(10) William E.H. Lecky, History of European Morals from Augustus to
Charlemagne, vol. I, pág. 85.
(11) Roberto Margotta, The History of Medicine, Paul Lewis, cd., Smithmark,
New York, 1996, pág. 52.
(12) Guenter B. Risse, Mending Bodies, Saving Souls, pág. 95.
(13) Ibid., pág. 138.
[14] Vincent Carroll e David ShiOett, Christianity on Trial, pag. 143.
[15] Cajctan BaluFri, The Charity or the Church, pag. 16.
[16] Ibid., rag. 185.
[17] Citado em John A. Ryan, “Chal’ity and Charities”, em Catholic Encyclopedia.
[18] Cajetan Baluffi, The Charity or the Church, pag. 257.
terça-feira, 6 de outubro de 2015
SÃO BRUNO - FUNDADOR DA ORDEM DOS CARTUXOS
São Bruno, iniciou a Ordem gloriosa da Cartuxa com o coração abrasado de amor por Jesus e pelo Reino de Deus
Hoje, 06 de outubro, a Igreja lembra São Bruno; o santo que se tornou o fundador da Ordem dos Cartuxos, considerada a mais rígida de todas as Ordens da Igreja, e que atravessou a história sem reformas.
Filho de família nobre de Colônia (Alemanha), nasceu em 1032. Quando alcançou idade foi chamado pelo Senhor ao sacerdócio, e se deixou seduzir. Amigo e admirado pelo Arcebispo de Reims, Bruno, inteligente e piedoso, começou a dar aulas na escola da Catedral desse local, até que já, cinquentenário e cônego, amadureceu na inspiração de servir a uma Ordem religiosa.
Após curto estágio num mosteiro beneditino, retirou-se a uma região chamada Cartuxa com a aprovação e bênção de São Hugo, Bispo de Grenoble, o qual lhe ofereceu um lugar. Isto se deu graças a um sonho que São Hugo teve. Neste sonho, apareciam-lhe sete estrelas que caíam aos seus pés para, logo em seguida, levantarem-se e desaparecerem no deserto montanhoso. Após este sonho, o Bispo recebeu a visita de Bruno que estava acompanhado por seis companheiros monges. Ao ver os sete varões, o Bispo Hugo reconheceu imediatamente neles as sete estrelas do sonho e concedeu-lhes as terras onde São Bruno iniciou a Ordem gloriosa da Cartuxa com o coração abrasado de amor por Jesus e pelo Reino de Deus. Com os monges companheiros, observava-se absoluto silêncio, a fim do aprofundamento na oração e à meditação das coisas divinas, ofícios litúrgicos comunitários, obediência aos superiores, trabalhos agrícolas, transcrição de manuscritos e livros piedosos.
Quando um dos discípulos de São Bruno tornou-se Papa (Urbano II), teve ele que obedecer ao Vigário de Cristo, já que o queria como assessor, porém, recusou ser Bispo e após pedir com insistência ao Sumo Pontífice, conseguiu voltar à vida religiosa, quando juntamente com amigos de Roma, fundou no sul da Itália o Mosteiro de Santa Maria da Torre, onde veio a falecer no dia 6 de outubro de 1101.
As últimas palavras foram: “Eu creio nos Santos Sacramentos da Igreja Católica, em particular, creio que o pão e o vinho consagrados, na Santa Missa, são o Corpo e Sangue, verdadeiros, de Jesus Cristo”.
São Bruno, rogai por nós!
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
SÃO BENEDITO - O SANTO MILAGROSO, PADROEIRO DOS COZINHEIROS
Hoje, 05 de outubro, é um dia muito especial para a Igreja e para o povo brasileiro. Comemora-se o dia de São Benedito, um dos santos mais queridos e cuja devoção é muito popular no Brasil. Cultuado inicialmente pelos escravos negros, por causa da cor de sua pele e de sua origem — era africano e negro —, passou a ser amado por toda a população como exemplo de humildade e pobreza. Esse fato também lhe valeu o apelido que tinha em vida, "o Mouro". Tal adjetivo, em italiano, é usado para todas as pessoas de pele escura, e não apenas para os procedentes do Oriente. Já entre nós, ele é chamado de são Benedito, o Negro, ou apenas "o santo Negro".
Há tanta identificação com a cristandade brasileira que até sua comemoração tem uma data só nossa. Embora em todo o mundo sua festa seja celebrada em 4 de abril, data de sua morte, no Brasil ela é celebrada, desde 1983, em 5 de outubro, por uma especial deferência canônica concedida à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Benedito Manasseri nasceu em 1526, na pequena aldeia de São Fratelo, em Messina, na ilha da Sicília, Itália. Era filho de africanos escravos vendidos na ilha. O seu pai, Cristóforo, herdou o nome do seu patrão, e tinha se casado com sua mãe, Diana Lancari. O casamento foi um sacramento cristão, pois eram católicos fervorosos. Considerados pela família à qual pertenciam, quando o primogênito Benedito nasceu, foram alforriados junto com a criança, que recebeu o sobrenome dos Manasseri, seus padrinhos de batismo.
Cresceu pastoreando rebanhos nas montanhas da ilha e, desde pequeno, demonstrava tanto apego a Deus e à religião que os amigos, brincando, profetizavam: "Nosso santo mouro". Aos 21 anos de idade, ingressou entre os eremitas da Irmandade de São Francisco de Assis, fundada por Jerônimo Lanza sob a Regra franciscana, em Palermo, capital da Sicília. E tornou-se um religioso exemplar, primando pelo espírito de oração, pela humildade, pela obediência e pela alegria numa vida de extrema penitência.
Na Irmandade, exercia a função de simples cozinheiro, era apenas um irmão leigo e analfabeto, mas a sabedoria e o discernimento que demonstrava fizeram com que os superiores o nomeassem mestre de noviços e, mais tarde, foi eleito o superior daquele convento. Mas quando o fundador faleceu, em 1562, o papa Paulo IV extinguiu a Irmandade, ordenando que todos os integrantes se juntassem à verdadeira Ordem de São Francisco de Assis, pois não queria os eremitas pulverizados em irmandades sob o mesmo nome.
Todos obedeceram, até Benedito, que, sem pestanejar, escolheu o Convento de Santa Maria de Jesus, também em Palermo, onde viveu o restante de sua vida. Ali exerceu, igualmente, as funções mais humildes, como faxineiro e depois cozinheiro, ganhando fama de santidade pelos milagres que se sucediam por intercessão de suas orações.
Eram muitos príncipes, nobres, sacerdotes, teólogos e leigos, enfim, ricos e pobres, todos se dirigiam a ele em busca de conselhos e de orientação espiritual segura. Também foi eleito superior e, quando seu período na direção da comunidade terminou, voltou a reassumir, com alegria, a sua simples função de cozinheiro. E foi na cozinha do convento que ele morreu, no dia 4 de abril de 1589, como um simples frade franciscano, em total desapego às coisas terrenas e à sua própria pessoa, apenas um irmão leigo gozando de grande fama de santidade, que o envolve até os nossos dias.
Foi canonizado, em 1807, pelo papa Pio VII. Seu culto se espalhou pelos quatro cantos do planeta. Em 1652, já era o santo padroeiro de Palermo, mais tarde foi aclamado santo padroeiro de toda a população afro-americana, mas especialmente dos cozinheiros e profissionais da nutrição. E mais: na igreja do Convento de Santa Maria de Jesus, na capital siciliana, venera-se uma relíquia de valor incalculável: o corpo do "santo Mouro", profetizado na infância e ainda milagrosamente intacto. Assim foi toda a vida terrena de são Benedito, repleta de virtudes e especiais dons celestiais provindos do Espírito Santo.
Fonte: Paulinas
SANTA MARIA FAUSTINA KOWALSKA - APÓSTOLA DA DIVINA MISERICÓRDIA
“Vós morrestes, Jesus, mas uma fonte de vida jorrou para as almas e abriu-se um mar de misericórdia para o mundo.” ( D. 1319 )
Hoje, 05 de outubro, a Igreja nos apresenta, Santa Faustina. A misericórdia divina revelou-se manifestamente na vida desta bem-aventurada, que nasceu no dia 25 de agosto de 1905, em Glogowiec, na Polônia Central. Faustina foi a terceira de dez filhos de um casal pobre. Por isso, após dois anos de estudos, teve de aplicar-se ao trabalho para ajudar a família.
Com dezoito anos, a jovem Faustina disse à sua mãe que desejava ser religiosa, mas os pais disseram-lhe que nem pensasse nisso. A partir disso, deixou-se arrastar para diversões mundanas até que, numa tarde de 1924, teve uma visão de Jesus Cristo flagelado que lhe dizia: “Até quando te aguentarei? Até quando me serás infiel?”
Faustina partiu então para Varsóvia e ingressou no Convento das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia no dia 1 de agosto de 1925. No convento tomou o nome de Maria Faustina, ao qual ela acrescentou “do Santíssimo Sacramento”, tendo em vista seu grande amor a Jesus presente no Sacrário. Trabalhou em diversas casas da congregação. Amante do sacrifício, sempre obediente às suas superioras, trabalhou na cozinha, no quintal, na portaria. Sempre alegre, serena, humilde, submissa à vontade de Deus.
Santa Faustina teve muitas experiências místicas onde Jesus, através de suas aparições, foi recordando à humilde religiosa o grande mistério da Misericórdia Divina. Um dos seus confessores, Padre Sopocko, exigiu de Santa Faustina que ela escrevesse as suas vivências em um diário espiritual. Desta forma, não por vontade própria, mas por exigência de seu confessor, ela deixou a descrição das suas vivências místicas, que ocupa algumas centenas de páginas.
Santa Faustina sofreu muito por causa da tuberculose que a atacou. Os dez últimos anos de sua vida foram particularmente atrozes. No dia 5 de outubro de 1938 sussurrou à irmã enfermeira: “Hoje o Senhor me receberá”. E assim aconteceu.
Beatificada a 18 de abril de 1993 pelo Papa João Paulo II, Santa Faustina, a “Apóstola da Divina Misericórdia”, foi canonizada pelo mesmo Sumo Pontífice no dia 30 de abril de 2000.
Santa Faustina, rogai por nós!
Fonte: Canção Nova
domingo, 4 de outubro de 2015
SÃO FRANCISCO DE ASSIS - O SANTO QUE LARGOU TUDO PARA VIVER NA POBREZA
São Francisco de Assis, o mais santo dos italianos, renunciou toda a riqueza para desposar a “Senhora Pobreza”
Hoje, 04 de outubro, a Igreja celebra São Francisco de Assis. Francisco nasceu em Assis, na Úmbria (Itália) em 1182. Jovem orgulhoso, vaidoso e rico, que se tornou o mais italiano dos santos e o mais santo dos italianos. Com 24 anos, renunciou a toda riqueza para desposar a “Senhora Pobreza”.
Aconteceu que Francisco foi para a guerra como cavaleiro, mas doente ouviu e obedeceu a voz do Patrão que lhe dizia: “Francisco, a quem é melhor servir, ao amo ou ao criado?”. Ele respondeu que ao amo. “Porque, então, transformas o amo em criado?”, replicou a voz. No início de sua conversão, foi como peregrino a Roma, vivendo como eremita e na solidão, quando recebeu a ordem do Santo Cristo na igrejinha de São Damião: “Vai restaurar minha igreja, que está em ruínas”.
Partindo em missão de paz e bem, seguiu com perfeita alegria o Cristo pobre, casto e obediente. No campo de Assis havia uma ermida de Nossa Senhora chamada Porciúncula. Este foi o lugar predileto de Francisco e dos seus companheiros, pois na Primavera do ano de 1200 já não estava só; tinham-se unido a ele alguns valentes que pediam também esmola, trabalhavam no campo, pregavam, visitavam e consolavam os doentes. A partir daí, Francisco dedica-se a viagens missionárias: Roma, Chipre, Egito, Síria… Peregrinando até aos Lugares Santos. Quando voltou à Itália, em 1220, encontrou a Fraternidade dividida. Parte dos Frades não compreendia a simplicidade do Evangelho.
Em 1223, foi a Roma e obteve a aprovação mais solene da Regra, como ato culminante da sua vida. Na última etapa de sua vida, recebeu no Monte Alverne os estigmas de Cristo, em 1224.
O Chamado
Num dia simples, mas muito especial, num momento em que Francisco rezava
sozinho na Igreja de São Damião, em Assis, ele sentiu que o crucifixo falava
com ele, repetindo por três vezes a frase que ficou famosa: “Francisco, repara
minha casa, pois olhas que está em ruínas”. O santo vendeu tudo o que tinha e
levou o dinheiro ao padre da Igreja de São Damião, e pediu permissão para viver
com ele. Francisco tinha vinte e cinco anos.
Pedro Bernardone, ao saber o que seu filho tinha feito,
foi busca-lo indignado, levou-o para casa, bateu nele e acorrentou-o pelos pés.
A mãe, porém, o libertou na ausência do marido, e o jovem retornou a São
Damião. Seu pai foi de novo buscá-lo. Mandou que ele voltasse para casa ou que
renunciasse à sua herança. Francisco então renunciou a toda a herança e disse:
“As roupas que levo pertencem também a meu pai, tenho que devolvê-las”. Em
seguida se desnudou e entregou suas roupas a seu pai, dizendo-lhe: “Até agora
tu tem sido meu pai na terra, mas agora poderei dizer: ‘Pai nosso, que estais
nos céus”.
Renúncia de São Francisco de
Assis
Para reparar a Igreja de São Damião, Francisco pedia esmola em Assis. Terminado
esse trabalho, começou reformar a Igreja de São Pedro. Depois, ele retirou-se
para morar numa capela com o nome de Porciúncula. Ela fazia parte daabadia de
Monte Subasio,
cuidada pelos beneditinos. Ali o céu lhe mostrou o que realmente esperava dele.
O trecho do Evangelho da Missa daquele
dia dizia: “Ide a pregar, dizendo: o Reino de Deus tinha chegado. Dai
gratuitamente o que haveis recebido gratuitamente. Não possuas ouro, nem duas
túnicas, nem sandálias…” A estas palavras, Francisco tirou suas sandálias, seu
cinturão e ficou somente com a túnica.
Milagres de São Francisco de
Assis
Deus lhe concedeu o dom da profecia e o dos milagres. Quando Francisco pedia esmolascom o
fim de restaurar a Igreja de São Damião, ele dizia: “Um dia haverá ali um
convento de religiosas, em cujo nome se glorificará o Senhor e a Igreja”. A
profecia se confirmou cinco depois com Santa Clara e suas religiosas. Ao curar,
com um beijo, o câncer que havia desfigurado o rosto de um homem, São
Boaventura comentou para São Francisco de Assis: “Não se há que admirar mais o
beijo do que o milagre?”
Fundação da Ordem dos Frades Menores
(O.F.M.)
Francisco começou a anunciar a verdade, no ardor do Espírito de Cristo.
Convidou outros a se associarem a ele na busca da perfeita santidade,
insistindo para que levassem uma vida de penitência. Alguns começaram a
praticar a penitência e em seguida se associaram a ele, partilhando a mesma
vida. O humilde São Francisco de Assis decidiu que eles se chamariam Frades
Menores.
Surgiram assim os primeiros 12 discípulos
que, segundo registram alguns documentos, “foram homens de tão grande santidade
que, desde os Apóstolos até hoje, não viu o mundo homens tão maravilhosos e
santos”. O próprio Francisco disse em testamento: “Aqueles que vinham abraçar
esta vida, distribuíam aos pobres tudo o que tinham. Contentavam-se só com uma
túnica, uma corda e um par de calções, e não queriam mais nada”. Os novos
apóstolos reuniram-se em torno da pequena igreja da Porciúncula, ou Santa Maria
dos Anjos, que passou a ser o berço da Ordem.
A nova ordem religiosa de São Fracisco de
Assis
Em 1210, quando o grupo contava com doze membros, São Francisco de Assis
redigiu uma regra pequena e informal. Esta regra era, na sua maioria, os
conselhos de Jesus para que possamos alcançar a perfeição. Com ela foram à Roma
apresentá-la ao Sumo Pontífice. Lá, porém,relutavam em
aprovar a nova comunidade. Eles achavam que o ideal de Francisco eramuito rígidoa
respeito da pobreza. Por fim, porém, um cardeal afirmou: “Não podemos proibir
que vivam como Cristo mandou no Evangelho”.
Receberam a aprovação e voltaram a Assis,
vivendo na pobreza, em oração, em santa alegria e grande fraternidade, junto a
Igreja da Porciúncula. Mais tarde, Inocêncio III mandou chamar São Francisco de
Assis e aprovou a regra verbalmente. Logo em seguida o papa impôs a eles o
corte dos cabelos, e lhes enviou em missão de pregarem a penitência.
São Francisco de Assis, um exemplo de
vida
São Francisco de Assis manifestava seu amor a Deus por uma alegria imensa, que
se expressava muitas vezes em cânticos ardorosos. A quem lhe perguntava qual a
razão de tal alegria, respondia que “ela deriva da pureza do coração e da
constância na oração”.
A santidade de São Francisco de Assis lhe
angariou muitos discípulos e atraiu também uma jovem, filha do Conde de SassoRosso,
Clara, de 17 anos. Desde o momento em que o ouviu pregar, compreendeu que a
vida que ele indicava era a que Deus queria para ela. Francisco tornou-se seu
guia e pai espiritual. Nascia assim a Ordem Segunda dos Franciscanos, a das Clarissas.
Depois, Inês, irmã de Clara, a seguia no claustro; mais tarde uma terceira,
Beatriz se juntou a elas.
Sabedoria divina
Certa vez, São Francisco de Assis, sentindo-se fortemente tentado pela
impureza, deitou-se sem roupas sobre a neve. Outra vez, num momento de tentação
ainda mais violenta, ele rolou sobre espinhos para não pecar e vencer suas
inclinações carnais.
Sua humildade não consistia simplesmente
no desprezo sentimental de si mesmo, mas na convicção de que “ante os olhos de
Deus o homem vale pelo que é e não mais”. Considerando-se indigno do
sacerdócio, São Francisco de Assis apenas chegou a receber o diaconato.
Detestava de todo coração o exibicionismo.
Uma vez contaram-lhe que um dos irmãos
amava tanto o silêncio que até quando ia se confessar, fazia-o por sinais. São
Francisco respondeu desgostoso:”Isso não
procede do Espírito de Deus, mas sim do demônio; é uma tentação e não um ato de
virtude”. Francisco tinha o dom da sabedoria. Certa vez, um frade lhe pediu
permissão para estudar. Francisco respondeu que, se o frade repetisse com amor
e devoção a oração “Glória ao Pai”, se tornaria sábio aos olhos de Deus. Ele
mesmo, Francisco, era um grande exemplo da sabedoria dessa maneira adquirida.
São Francisco de Assis e os
animais
A proximidade de Francisco com a natureza sempre foi a faceta mais conhecida
deste santo. Seu amor universalista abrangia toda a Criação, e simbolizava um
retorno a um estado de inocência, como Adão e Eva no Jardim do Éden.
Os estigmas de São Franscisco de
Assis
Dois anos antes de sua morte, tendo Francisco ido ao Monte Alverne em
companhia de alguns de seus frades mais íntimos, pôs-se em oração fervorosa e
foi objeto de uma graça insigne.
Na figura de um serafim de seis asas
apareceu-lhe Nosso Senhor crucificado que, depois de entreter-se com ele em
doce colóquio, partiu deixando-lhe impressos no corpo os sagrados estigmas da
Paixão. Assim, esse discípulo de Cristo, que tanto desejara assemelhar-se a
Ele, obteve mais este traço de similitude com o Divino Salvador.
Devoção a São Francisco de Assis
No verão de 1225, Francisco esteve tão enfermo, que o cardeal Ugolino e o irmão
Elias o levaram ao médico do Papa, em Rieti. São Francisco de Assis perguntou a
verdade e lhe dissessem que lhe restava apenas umas semanas de vida. “Bem
vinda, irmã Morte!”, exclamou o santo.
Em seguida pediu para ser levado à
Porciúncula. Morreu no dia três de outubro de 1226, com menos de 45 anos,
depois de escutar a leitura da Paixão do Senhor. Ele queria ser sepultado no
cemitério dos criminosos, mas seus irmãos o levaram em solene procissão à
Igreja de São Jorge, em Assis.
Ali esteve depositado até dois anos
depois da canonização. Em 1230, foi secretamente trasladado à grande basílica
construída pelo irmão Elias. Ele foi canonizado apenas dois anos depois da
morte, em 1228, pelo Papa Gregório IX. Sua festa é celebrada em 04 de outubro.
Oração de São Francisco de
Assis
Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a
união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a
esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a
alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida
eterna.
Já enfraquecido por tanta penitência e cego por chorar pelo amor que não é amado, São Francisco de Assis, na igreja de São Damião, encontra-se rodeado pelos seus filhos espirituais e assim, recita ao mundo o cântico das criaturas. O seráfico pai, São Francisco de Assis, retira-se então para a Porciúncula, onde morre deitado nas humildes cinzas a 3 de outubro de 1226. Passados dois anos incompletos, a 16 de julho de 1228, o Pobrezinho de Assis era canonizado por Gregório IX.
A seguir, 12 fatos fascinantes que talvez
não sejam muito conhecidos, sobre a vida deste
santo
1. Os retratos mais antigos de São
Francisco estão na Itália
O primeiro (esquerda) se encontra no
mosteiro beneditino de Subiaco. Foi
feito durante uma visita ao mosteiro; neste , São Francisco não tem auréola nem
estigmas.
O segundo (direita) está na Basílica
inferior de Assis e foi pintado por Cimabue. O afresco completo representa a Virgem
com o Menino Jesus entronizados, quatro anjos e São Francisco.
2. Foi chamado Francisco pelo povo
da França
Seu pai, Pedro Bernardone, foi
um comerciante que trabalhava na França. Como estava neste país quando seu
filho nasceu, as pessoas o apelidaram de “Francesco” (o francês), por mais que
no batismo tenha
recebido o nome de João.
3. Foi prisioneiro de guerra
durante um ano
Quando tinha cerca de 19 anos, antes de
sua conversão, uniu-se ao exército e lutou em uma guerra travada entre as
cidades de Perugia e Assis. Foi feito prisioneiro durante um ano, mas
finalmente foi libertado ileso.
4. Sua vida se inspirou em Mateus
10,9
Em Mateus 10,9, Jesus diz a seus
discípulos: “Não leveis nem ouro, nem prata, nem dinheiro em vossos cintos”,
quando saírem para pregar o Evangelho. Sentiu-se inspirado a fazer o mesmo e
começou a viajar na pobreza para pregar o arrependimento.
5. Em um ano, ganhou 11 seguidores
No ano de 12010, havia 12 deles no total,
ou seja, como o número dos apóstolos. Então, Francisco redigiu uma regra breve
e informal que consistia principalmente nos conselhos evangélicos para alcançar
a perfeição. Com ela, foram para Roma a fim de apresenta-la para a aprovação do
Papa. Viajaram a pé, cantando e rezando, cheios de felicidade e vivendo das
esmolas que as pessoas lhes davam.
6. O Papa Inocêncio III decidiu
apoiar os franciscanos depois de um sonho sobrenatural
O Papa Inocêncio III se mostrou adverso
ao dar apoio a Francisco e seu novo grupo de seguidores. Então, teve um sonho
no qual viu Francisco sustentando com seu corpo a Basílica de São João de Latrão, a
catedral da Diocese de Roma, que estava a ponto de desmoronar.
O Santo Padre interpretou o sonho como
uma indicação de que Francisco e seu grupo poderiam servir de apoio à Igreja e,
assim, deu-lhes o reconhecimento oficial como uma ordem.
7. Assistiu ao IV Concílio de Latrão,
onde conheceu São Domingos de Gusmão
O IV Concílio de Latrão foi
o concílio ecumênico 12 da Igreja Católica no qual se ratificou a
transubstanciação e a primazia papal, entre outras coisas. São Domingos,
fundador da Ordem dos Pregadores ou Dominicanos, também esteve presente.
8. Visitou um sultão muçulmano,
pregou o Evangelho e o desafiou a uma prova “de fogo” a fim de provar a verdade
do cristianismo
Durante a quinta cruzada, Francisco e um
acompanhante viajaram a território muçulmano para visitar o sultão do Egito e
Síria, Al-Kamil.
O santo pregou diante do sultão e, para
demonstrar sua grande fé na religião cristã, desafiou os presentes a um “prova
de fogo”, que consistia em que ele e um muçulmano caminhassem por uma trilha em
chamas, com a ideia de que o seguidor da religião verdadeira deveria ser
protegido por Deus.
Francisco se ofereceu a ir primeiro, mas
Al-Kamil
recusou o desafio. Entretanto, o sultão ficou tão impressionado por sua fé que
deu permissão para Francisco pregar em sua terra.
9. Deteve os milagres de um
franciscano falecido
Em 1220, Francisco se retirou do governo
da Ordem e nomeou como seu Vigário Pedro Cattani. Entretanto, Pedro morreu apenas cinco
meses depois.
As pessoas que visitaram seu túmulo
reportaram muitos milagres, o que levou grandes multidões ao local, o que
causava problemas na região. Por isso, Francisco rezou a Cattani para
que os milagres se detivessem, e estes cessaram.
10. Recebeu os estigmas enquanto
realizava um jejum de 40 dias
Os estigmas são uma condição na qual as
feridas de Cristo aparecem sobrenaturalmente no corpo de uma pessoa. Um
franciscano que o acompanhou disso: “De repente, teve a visão de um serafim, um
anjo de seis asas em uma cruz. Este anjo lhe deu o dom das cinco chagas de
Cristo”.
Isto aconteceu em 1224, durante um jejum
de 40 dias no Monte Alvernia,
quando se preparava para a Festa de São Miguel Arcanjo, em 29 de setembro.
11. A primeira pedra da Basílica de
São Francisco de Assis foi colocada no dia seguinte de sua canonização
Francisco morreu em 3 de outubro de 1226.
Foi declarado santo pelo Papa Gregório IX, em 16 de julho de 1228, e no dia
seguinte o Santo Padre colocou pessoalmente a primeira pedra da nova basílica
de São Francisco de Assis.
12. Seu túmulo se perdeu durante
séculos até que foi redescoberto em 1818
Seu corpo foi transladado para sua
basílica em 1230, mas logo foi ocultado pelos franciscanos para protegê-lo dos
invasores sarracenos. A localização de seu corpo ficou esquecida e não foi
redescoberta até quase seis séculos depois, em 1818.
São Francisco de Assis, rogai por nós!
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