quarta-feira, 21 de outubro de 2015

SANTA ÚRSULA - VIRGEM E MÁRTIRE


Hoje, 21 de outubro, a Igreja nos apresenta Santa Úrsula. Úrsula nasceu no ano 362, filha dos reis da Cornúbia, na Inglaterra. A fama de sua beleza se espalhou e ela passou a ser desejada por vários pretendentes (embora Úrsula tenha feito um voto secreto de consagração total a Deus). Seu pai acabou aceitando a proposta de casamento feita pelo duque Conanus, um general de exército pagão, seu aliado.
Úrsula fora educada nos princípios cristãos. Por isso ficou muito triste ao saber que seu pretendente era pagão. Quis recusar a proposta mas, conforme costume da época, deveria acatar a decisão de seu pai. Pediu, então, um período de três anos para se preparar. Ela esperava converter o general Conanus durante esse tempo, ou então, encontrar um meio de evitar o casamento. Mas não conseguiu nem uma coisa, nem outra.
Conforme o combinado, ela partiu para as núpcias, viajando de navio, acompanhada de onze jovens, virgens como ela, que iriam se casar com onze soldados do duque Conanus. Há lendas e tradições que falam em onze mil virgens, ao invés de onze apenas. Mas outros escritos da época e pesquisas arqueológicas revelaram que foram mesmo onze meninas.
Foram navegando pelo rio Reno e chegaram a Colônia, na Alemanha. A cidade havia sido tomada pelo exército de Átila, rei dos hunos. Eles mataram toda a comitiva, sobrando apenas Úrsula, cuja beleza deixou encantado ao próprio Átila. Ele tentou seduzi-la e lhe propôs casamento. Ela recusou, dizendo que já era esposa do mais poderoso de todos os reis da Terra, Jesus Cristo. Átila, enfurecido, degolou pessoalmente a jovem, no dia 21 de outubro de 383. Em Colônia, uma igreja guarda o túmulo de Santa Úrsula e suas companheiras.
Durante a Idade Média, a italiana Ângela de Mérici, fundou a Companhia de Santa Úrsula, com o objetivo de dar formação cristã a meninas. Seu projeto foi que essas futuras mamães seriam multiplicadoras do Evangelho, catequizando seus próprios filhos. Foi um avanço, tendo em vista que nesta época a preocupação com a educação era voltada apenas para os homens. Segundo a fundadora, o nome da ordem surgiu de uma visão que ela teve.
Atualmente as Irmãs Ursulinas, como são chamadas as filhas de Santa Ângela, estão presentes nos cinco continentes, mantendo acesas as memórias de Santa Ângela e Santa Úrsula.
Santa Úrsula, rogai por nós!
Fonte: Canção Nova

terça-feira, 20 de outubro de 2015

SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA - UM DOS GRANDES MÍSTICOS ESPANHÓIS


São Pedro de Alcântara, era sempre de oração e jejum, poucas horas de sono, hábito surrado e grande pregador

“Aqueles que são de Cristo crucificaram a própria carne com os seus vícios e concupiscências” (Gal 5,24)

Esta Palavra do Senhor se aplica muito bem a São Pedro de Alcântara, o qual lembramos hoje, 20 de outubro, pois soube vencer o corpo do pecado através de muita oração e mortificações. Pedro nasceu em Alcântara, na Espanha, em 1499.

Menino simples, orante e de bom comportamento, estudou na universidade ainda novo, mas soube, igualmente, destacar-se no cultivo das virtudes cristãs, até que, obediente ao Mestre, o casto e caridoso jovem entrou para a Ordem de São Francisco, embora seu pai quisesse para ele o Direito. Pedro foi ordenado sacerdote e tornou-se modelo de perfeição monástica e ocupante de altos cargos, o qual administrou até chegar, com vinte anos, a superior do convento e, mais tarde, eleito provincial da Ordem.

Franciscano de espírito e convicção, era sempre de oração e jejum, poucas horas de sono, hábito surrado, grande pregador e companheiro das viagens. Como provincial, visitou todos os conventos da sua jurisdição, promovendo uma reforma de acordo com a regra primeira de São Francisco, da qual era testemunho vivo. Conhecido, sem desejar, em toda a Europa, foi conselheiro do imperador Carlos V e do rei João III, além de amigo dos santos e diretor espiritual de Santa Teresa de Ávila; esta, sobre ele, atestou depois da morte do santo: “Pedro viveu e morreu como um santo e, por sua intercessão, conseguiu muitas graças de Deus”.

Considerado um dos grandes místicos espanhóis do séc. XVI e dos que levaram a austeridade até um grau sobre-humano, entrou no Céu com 63 anos, em 1562, após sofrer muito e receber os últimos Sinais do Amor (Sacramentos), que o preparou para um lindo encontro com Cristo.

São Pedro de Alcântara, rogai por nós!


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

DIVULGADO PROGRAMA DA VISITA DO PAPA FRANCISCO À ÁFRICA

Cidade do Vaticano (RV) - A Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou o programa da viagem do Papa Francisco à África, a ser realizada de 25 a 30 de novembro próximo. Serão três os países a acolher o Pontífice: Quênia, Uganda e República Centro Africana.

O Quênia, primeira etapa da viagem, receberá o Santo Padre na quarta-feira, 25 de novembro, às 17 horas. Em Nairóbi o Papa fará uma visita de cortesia ao Presidente da República e participará do encontro com as autoridades e o Corpo Diplomático. Já na quinta-feira, 26, o Papa começará o dia participando do encontro inter-religioso e ecumênico, seguido pela Missa no Campus universitário da capital. Na parte da tarde, o encontro com o clero e os religiosos e a visita ao Escritório da ONU de Nairóbi. Na sexta-feira, 27, o Papa visitará o bairro pobre de Kangemi. Às 10 horas, o encontro com os jovens no Estádio Kasarani e logo após o encontro com o episcopado do país.
Na parte da tarde o Santo Padre segue para Entebe, Uganda, onde logo após a chegada realiza uma visita de cortesia ao Presidente da República e o encontro com as autoridades e o Corpo Diplomático. A seguir dirige-se a Munyonyo para uma saudação aos catequistas e professores. No sábado, dia 28, o Papa visita os dois Santuários dedicados aos mártires ugandenses católicos e anglicanos. Às 9h30 preside a Santa Missa pelos Mártires de Uganda na área do Santuário católico. Na sequência, o encontro com os jovens em Kololo Air Strip em Kampala, a visita à Casa de Caridade Nalukolongo e os encontros com os bispos de Uganda e com o clero e religiosos.
Domingo, 29 de novembro, parte para Bangui, na República Centro Africana, onde a chegada está prevista para às 10 horas. O primeiro compromisso é a visita de cortesia ao Presidente de transição do país, seguido pelo encontro com a classe dirigente e com o Corpo Diplomático. Às 12h15 a visita ao campo de refugiados, seguido pelos encontros com os Bispos centro-africanos e com os evangélicos. Às 17 horas presidirá a Missa com o clero, os religiosos e os jovens na Catedral de Bangui. O dia termina às 19 horas com a confissão de alguns jovens e a vigília de oração na esplanada diante da Catedral. Na segunda-feira, 30, o Papa encontra a comunidade muçulmana na Mesquita Central de Koudoukou em Bangui. Às 9h30 a Missa no Estádio do Complexo esportivo Barthélémy Boganda.
Por fim, o Papa Francisco parte às 12h30 do Aeroporto Internacional “M’Poko”, de Bangui. A chegada à Roma-Ciampino  está prevista para às 18h45min. 
Fonte: Rádio Vaticano

AS ESTATÍSTICAS DE 2015 DA IGREJA CATÓLICA PELO MUNDO


Por ocasião do Dia Mundial das Missões celebrado este domingo, 18 de outubro, a Agência Fides apresentou, como de costume, alguns dados estatísticos escolhidos para traçar um panorama da Igreja do mundo. Os dados foram retirados do último Anuário Estatístico da Igreja e dizem respeito aos membros da Igreja, às suas estruturas pastorais, às atividades no campo da saúde, assistencial e educativo.
População Mundial
De 31 de dezembro de 2013 a população mundial era de cerca 7.093.798.000, com um aumento de 70.421.000 em relação ao ano precedente. O aumento global diz respeito este ano também a todos os continentes: os aumentos mais consistentes foram verificados na Ásia e África, seguidos pela América, Europa e Oceania.
O número de católicos na data de 31 de dezembro de 2013 era cerca de 1.253.926.000, com um aumento de 25.305.000 em relação ao ano precedente. O aumento foi maior na África e América, seguido pela Ásia, Europa. Na Oceania houve uma leve diminuição. O percentual total de católicos aumentou em 0,19%, chegando a 17,68%.
Habitantes e católicos por sacerdote
O número de habitantes por sacerdote aumentou também este ano em 180 novos padres, chegando a um total de 13.752. Os principais aumentos foram verificados na América, Europa e Oceania, com diminuição na África e Ásia.
O número de católicos por sacerdote, por sua vez, aumentou em 54 unidades, chegando ao número de 3.019. Também neste ano foram registrados aumentos na América, Europa e Oceania e diminuição na Ásia e na África.
Circunscrições Eclesiásticas e estações missionárias
As Circunscrições Eclesiásticas são 8 a mais em relação ao ano precedente, chegando a 2.989, com novas Circunscrições criadas na África, América, Ásia, Europa e Oceania. As estações missionárias com sacerdote residente são 1.871 e registram aumentos na África, Ásia e Oceania e diminuição na América e Europa. As estações missionárias sem sacerdote residente aumentaram em 3.074 unidades, chegando assim o número de 133.869. Aumentam na África, América, Ásia e Oceania. Única diminuição verificada foi na Europa.
Bispos
Em relação ao ano precedente, a Igreja ganhou 40 novos bispos em todo o mundo, chegando a um total de 5.173. Contrariamente à situação dos últimos anos, em que houve um aumento de Bispos diocesanos e uma diminuição dos religiosos, neste ano houve um aumento nas duas "categorias". Os bispos diocesanos são 3.945, enquanto os Bispos religiosos são 1.228. O aumento dos Bispos diocesanos diz respeito a todos os continentes, com exceção da Oceania. Os Bispos religiosos tiveram um aumento em todos os continentes, à exceção da Oceania onde permaneceu inalterado.
Sacerdotes
O número total de sacerdotes no mundo aumentou em 1.035 em relação ao ano precedente, chegando a um total de 415.348. A Europa foi o continente que apresentou a maior diminuição, seguida pela Oceania. África, América e Ásia registraram um aumento no número de padres. Os sacerdotes diocesanos no mundo aumentaram em 971, chegando a um total de 280.532, com aumentos na África, América, Ásia e Oceania. A diminuição ocorreu também neste ano na Europa. Os sacerdotes religiosos, por sua vez, tiveram um aumento total de 64 novos padres, chegando a um total de 134.816, consolidando a tendência verificada nos últimos anos, que viu seu crescimento na África e Ásia e diminuição na América, Europa e Oceania.
Diáconos Permanentes
Os diáconos permanentes no mundo aumentaram em 1.091 unidades, chegando a um total de 43.195. O aumento mais consistente foi verificado mais uma vez na América e na Europa, seguido pela África, Ásia e Oceania. Os Diáconos permanentes diocesanos são no mundo 42.650, com um aumento total de 1.084. O aumento é verificado em todos os continentes: África, América, Ásia, Europa, Oceania. Os Diáconos permanentes religiosos são 545, aumentados em 7 "unidades" em relação ao ano precedente, com aumentos verificados na África, América e Oceania e diminuição na Ásia e Europa.
Religiosos e religiosas
Os religiosos não sacerdotes diminuíram em 61, em contra tendência em relação aos últimos anos, chegando a um total de 55.253. Os aumentos foram registrados na América, Ásia e Oceania e a diminuição na África e Europa. Também este ano se confirma a tendência à diminuição global das religiosas, com 8.954 a menos, totalizando 693.575. Os aumentos são verificados, novamente, na África e Ásia e as diminuições na América, Europa e Oceania.
Institutos Seculares
Os membros dos Institutos Seculares masculinos são 712, com uma diminuição global de 59. À nível continental, houve um crescimento somente na África, enquanto diminuíram na América, Ásia, Europa, permanecendo inalterada também neste ano na Oceania. Os membros dos Institutos Seculares femininos diminuíram em 747 unidades, chegando a um total de 23.955 membros. Aumentam na África e Ásia, enquanto diminuem na América, Europa e Oceania.
Missionários leigos e catequistas
O número total de missionários leigos no mundo é de cerca 367.679, com um aumento global de 5.191 verificado em todos os continentes, à exceção da Oceania que verificou uma leve diminuição. Os catequistas no mundo diminuíram em 13.075, chegando a um total de 3.157.568. Aumentos significativos foram verificados na África e na Ásia, enquanto as diminuições ocorreram nos outros continentes.
Seminaristas maiores
Os seminaristas maiores, diocesanos e religiosos, diminuíram globalmente em 1.800, totalizando 118.251. Os aumentos foram registrados somente na África, enquanto diminuíram na América, Ásia, Europa e Oceania. Os seminaristas maiores diocesanos são 71.537 e os religiosos 46.714. Para os seminaristas diocesanos os aumentos interessam à África e Ásia, enquanto diminuem na América, Europa e Oceania. Os seminaristas maiores religiosos diminuíram em todos os continentes.
Seminaristas menores
O número total de seminaristas menores, diocesanos e religiosos, diminuiu de 775, totalizando 101.928. Aumentaram na América, Ásia e Oceania, enquanto diminuíram na África e Europa. Os seminaristas menores diocesanos são 78.556 e os religiosos 23.372. Para os seminaristas diocesanos a diminuição é registrada em todos os continentes à exceção da Ásia. Os seminaristas menores, pelo contrário, estão em crescimento na África, América e Oceania, enquanto diminuem na Ásia e Europa.
Institutos de educação
No campo da instrução e da educação, a Igreja administra no mundo 73.263 escolas maternas frequentadas por 6.963.669 alunos; 96.822 escolas primárias para 32.254.204 alunos; 45.699 Institutos secundários para 19.407.417 alunos. Além disto acompanha 2.309.797 alunos das escolas superiores e 2.727.940 estudantes universitários.
Institutos de saúde, de beneficência e assistência
Os Institutos de beneficência e assistência administrados pela Igreja incluem 5.034 hospitais com as presenças maiores na América e África; 16.627 dispensários, na maior parte na África, América e Ásia; 611 leprosários distribuídos principalmente na Ásia e África; 15.518 casas para idosos, doentes crônicos e deficientes, na maior parte na Europa  América; 9.770 orfanatrófios na maior parte na Ásia; 12.082 jardins de infância com maior número na Ásia e América; 14.391 consultórios matrimoniais, na maior parte na América e Europa; 3.896  centros de educação e reeducação social e 38.256 instituições de outro tipo.
Circunscrições Eclesiásticas dependentes da Congregação para a evangelização dos Povos
As Circunscrições Eclesiásticas dependentes da Congregação para a Evangelização dos Povos em 13 de outubro de 2015 são 1.111, com um aumento de duas circunscrições em relação ao ano precedente. A maior parte das circunscrições eclesiásticas confiadas à Propaganda Fidei se encontra na África e Ásia, seguidas por América e Oceania.
Fonte: ARQRIO

SÃO PAULO DA CRUZ



Hoje, 19 de outubro, a Igreja celebra, São Paulo da Cruz. Nasceu em Ovada (Itália) em 1694, de piedosos pais, que muito educaram o filho no Cristianismo. Foi o segundo de 16 filhos. Quando jovem de oração e contemplativo, fez uma aliança com colegas, a fim de meditarem a Paixão e morte de Jesus.

De início, trabalhou com o pai e não sentia o chamado ao sacerdócio, mas, ao apostolado. Aos 19 anos, ouvido uma exortação do pároco, sentiu-se profundamente comovido e resolveu entregar-se inteiramente ao serviço de Deus. Assim, partilhou com um Bispo, o impulso de propagar a devoção à Paixão e morte daquele que morreu por amor à humanidade e salvação de cada um.
Enviado pelo Bispo, tornou-se instrumento de conversão para milhares, até que o Bispo ordenou-o sacerdote e, mais tarde, o Papa deu a licença para aceitar candidatos em seu Noviciado.

Nasceu desta maneira a Congregação dos Padres Passionistas, com a finalidade de firmar nos corações dos fiéis um grande amor à Paixão e morte de Nosso Senhor, através das missões populares. Além da Congregação dos Passionistas, fundou também um instituto feminino de estrita clausura: as Irmãs Passionistas.

Profundo devoto da Sagrada Paixão, o fundador São Paulo da Cruz desde que começou o apostolado sozinho não abandonou o hábito preto, a cruz branca e as duras penitências, como se alimentar de pão e água e dormir no chão. Depois de muito evangelizar (também através de seus muitos escritos) e alcançar milagres para o povo, associou-se à Cruz e à Nossa Senhora das Dores, para entrar como vitorioso no Céu em 1775, somando 81 anos de idade. O Papa Pio IX canonizou-o em 1867. O seu corpo venera-se na basílica dos santos João e Paulo.

São Paulo da Cruz, rogai por nós!

domingo, 18 de outubro de 2015

SÃO LUCAS - MÉDICO, EVANGELISTA E APÓSTOLO DE CRISTO



Hoje, 18 de outubro, estamos em festa na liturgia da Igreja, pois lembramos a vida e o testemunho do apóstolo e evangelista São Lucas.
Nasceu em Antioquia da Síria, médico de profissão foi convertido pelo apóstolo São Paulo, do qual se tornou inseparável e fiel companheiro de missão. Colaborador no apostolado, o grande apóstolo dos gentios em diversos lugares externa a alta consideração que tinha por Lucas, como portador de zelo e fidelidade no coração. Ambos fazem várias viagens apostólicas, tornando-se um dos primeiros missionários do mundo greco-romano. Tornou-se excepcional para a vida da Igreja por ter sido dócil ao Espírito Santo, que o capacitou com o carisma da inspiração e da vivência comunitária, resultando no Evangelho segundo Lucas e na primeira história da Igreja, conhecida como Atos dos Apóstolos.
No Evangelho segundo Lucas, encontramos o Cristo, amor universal, que se revela a todos e chama Zaqueu, Maria Madalena, garante o Céu para o “bom” ladrão e conta as lindas parábolas do pai misericordioso e do bom samaritano. Nos Atos dos Apóstolos, que poderia também se chamar Atos do Espírito Santo, deparamos com a ascensão do Cristo, que promete o batismo no Espírito Santo, fato que se cumpre no dia de Pentecostes, e é inaugurada a Igreja, que desde então vem evangelizando com coragem, ousadia e amor incansável todos os povos.
Uma tradição – que recolheu no séc. XIV Nicéforo Calisto, inspirado numa frase de Teodoro, escritor do séc. VI – diz-nos que São Lucas foi pintor e fala-nos duma imagem de Nossa Senhora saída do seu pincel. Santo Agostinho, no séc. IV, diz-nos pela sua parte que não conhecemos o retrato de Maria; e Santo Ambrósio, com sentido espiritual, diz-nos que era figura de bondade. Este é o retrato que nos transmitiu São Lucas da Virgem Maria: o seu retrato moral, a bondade da sua alma. O Evangelho de boa parte das Missas de Maria Santíssima é tomado de São Lucas, porque foi ele quem mais longamente nos contou a sua vida e nos descobriu o seu Coração. Duas vezes esteve preso São Paulo em Roma e nos dois cativeiros teve consigo São Lucas, “médico queridíssimo”. Ajudava-o no seu apostolado, consolava-o nos seus trabalhos e atendia-o e curava-o com solicitude nos seus padecimentos corporais. No segundo cativeiro, do ano 67, pouco antes do martírio, escreve a Timóteo que “Lucas é o único companheiro” na sua prisão. Os outros tinham-no abandonado. O historiador São Jerônimo afirma que Lucas viveu a missão até a idade de 84 anos, terminando sua vida com o martírio. Por isso, no hino das Laudes rezamos: “Cantamos hoje, Lucas, teu martírio, teu sangue derramado por Jesus, os dois livros que trazes nos teus braços e o teu halo de luz”. É considerado o Padroeiro dos médicos, por também ele ter exercido esse ofício, conforme diz São Paulo aos Colossenses (4,14): “Saúda-vos Lucas, nosso querido médico”.
São Lucas, rogai por nós!
Fonte: Canção Nova

sábado, 17 de outubro de 2015

SANTO INÁCIO DE ANTIOQUIA - PORTADOR DE DEUS


Neste dia, 17 de outubro, deparamos com a fé ardente, doação completa e amor singular ao Cristo do mártir Santo Inácio, sucessor de São Pedro em Antioquia da Síria, que desde a infância conviveu com a primeira geração dos cristãos.
Como Bispo foi muito amado em Antioquia e no Oriente todo, pois sua santidade brilhava, tanto que o prenderam devido a sua liderança na religião cristã, durante o Império de Trajano, por volta do ano 107.
Chamado Teóforo – portador de Deus – Inácio, ao ser transportado para Roma, sabia que cristãos de influência na corte imperial poderiam impedi-lo de alcançar Cristo pelo martírio, por isso, dentre tantas cartas que enviara para as comunidades cristãs, a fim de edificar, escreveu em especial à Igreja Católica em Roma: “Eu vos suplico, não mostreis comigo uma caridade inoportuna. Permiti-me ser pasto das feras, pelas quais me será possível alcançar Deus, sou trigo de Deus e quero ser moído pelos dentes dos leões, a fim de ser apresentado como pão puro a Cristo. Escutai, antes, as feras, para que se convertam em meu sepulcro e não deixem rasto do meu corpo. Então serei verdadeiro discípulo de Cristo”.
Nesta mesma carta há uma preciosa afirmação sobre a presença de Cristo na Eucaristia: “Não encontro mais prazer no alimento corruptível nem nos gozos desta vida, o que desejo é o pão de Deus, este pão que é a carne de Cristo e, por bebida, quero seu sangue, que é o amor incorruptível”.
Santo Inácio escreveu sete cartas: Epístola a Policarpo de Esmirna, Epístola aos Efésios, Epístola aos Esmirniotas, Epístola aos Filadélfos, Epístola aos Magnésios, Epístola aos Romanos, Epístola aos Tralianos.
Santo Inácio foi, de fato, atirado às feras no Coliseu em Roma no ano 107, e hoje intercede para que comecemos a ter a têmpera dos mártires a fim de nos doarmos por amor.
Santo Inácio de Antioquia, rogai por nós!

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

SANTA EDWIGES - PADROEIRA DOS POBRES E ENDIVIDADOS



Hoje, 16 de outubro, a Igreja nos apresenta, Santa Edwiges. Nobre, Edwiges nasceu em 1174, na Bavária, Alemanha. Ainda criança, já mostrava mais apego às coisas espirituais do que às materiais, apesar de dispor de tudo o que quisesse comprar ou possuir. Em vez de divertir-se em festas da Corte, preferia manter-se recolhida para rezar.

Aos 12 anos, como era convencionado nas casas reais, foi dada em casamento a Henrique I, duque da Silésia e da Polônia. Ela obedeceu aos pais e teve com o marido sete filhos. Quando completou 20 anos, e ele 34, sentiu o chamado definitivo ao seguimento de Jesus. Conversou com o marido e decidiram manter, dentro do casamento, o voto de abstinência sexual.


Edwiges entregou-se, então, à piedade e caridade. Guardava uma pequena parte de seus ganhos para si e o resto empregava em auxílio ao próximo. Quando descobriu que muitas pessoas eram presas porque não tinham como saldar suas dívidas, passou a ir pessoalmente aos presídios para libertar tais encarcerados, pagando-lhes as dívidas com seu próprio dinheiro. Depois, ela também lhes conseguia um emprego, de modo que pudessem manter-se com dignidade.

Construiu o Mosteiro de Trebnitz, na Polônia, ajudou a restaurar os outros e mandou erguer inúmeras igrejas. Desse modo, organizou uma grande rede de obras de caridade e assistência aos pobres. Além disso, visitava os hospitais constantemente, para, pessoalmente, cuidar e limpar as feridas dos mais contaminados e leprosos. Mas Edwiges tinha um especial carinho pelas viúvas e órfãos.


Veio, então, um período de sucessivas desventuras familiares. Num curto espaço de tempo, assistiu à morte, um a um, dos seus seis filhos, ficando viva apenas a filha Gertrudes. Em seguida, foi a vez do marido. Henrique I fora preso pelos inimigos num combate de guerra e, mesmo depois de libertado, acabou morrendo, vitimado por uma doença contraída na prisão.


Viúva, apesar da dura provação, Edwiges continuou a viver na virtude. Retirou-se e ingressou no convento que ela própria construíra, do qual a filha Gertrudes se tornara abadessa. Fez os votos de castidade e pobreza, a ponto de andar descalça sobre a neve quando atendia suas obras de caridade. Foi nessa época que recebeu o dom da cura, e operou muitos milagres, em cegos e outros enfermos, com o toque da mão e o sinal da cruz.


Com fama de santidade, Edwiges morreu no dia 15 de outubro de 1243, no Mosteiro de Trebnitz, Polônia. Logo passou a ser cultuada como santa, e o local de sua sepultura tornou-se centro de peregrinação para os fiéis cristãos. Em 1266, o papa Clemente IV canonizou-a oficialmente. A Igreja designou o dia 16 de outubro para a celebração da sua festa litúrgica. O culto a santa Edwiges, padroeira dos pobres e endividados, é muito expressivo ainda hoje em todo o mundo católico e um dos mais difundidos do Brasil.



Santa Edwiges, Rogai por nós!



Fonte: Paulinas

SANTA MARGARIDA MARIA ALACOQUE - DEVOTA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS


Provada e preparada no cadinho da humilhação, começou a cultuar o Santíssimo Sacramento do Altar e diante do Coração Eucarístico começou a ter revelações divinas

Hoje, 16 de outubro, a Igreja celebra Santa Margarida Maria Alacoque. Deus suscitou este luzeiro, ou seja, portadora da luz, que é Cristo, num período em que na Igreja penetrava as trevas do Jansenismo (doutrina que pregava um rigorismo que esfriava o amor de muitos e afastava o povo dos sacramentos). O nome de Santa Margarida Maria Alacoque está intimamente ligado à fervorosa devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Nasceu na França em 1647, teve infância e adolescência provadas, sofridas. Órfã de pai e educada por Irmãs Clarissas, muito nova pegou uma estranha doença que só a deixou depois de fazer o voto à Santíssima Virgem.

Com a intercessão da Virgem Maria, foi curada e pôde ser formada na cultura e religião. Até que provada e preparada no cadinho da humilhação, começou a cultuar o Santíssimo Sacramento do Altar e diante do Coração Eucarístico começou a ter revelações divinas.

“Eis aqui o coração que tanto amou os homens, até se esgotar e consumir para testemunhar-lhe seu amor e, em troca, não recebe da maior parte senão ingratidões, friezas e desprezos”. As muitas mensagens insistiram num maior amor à Santíssima Eucaristia, à Comunhão reparadora nas primeiras sextas-feiras do mês e à Hora Santa em reparação da humanidade.

Incompreendida por vários, Margarida teve o apoio de um sacerdote, recebeu o reconhecimento do povo que podia agora deixar o medo e mergulhar no amor de Deus. Leão XIII consagrou o mundo ao Sagrado Coração de Jesus e o Papa Pio XIII recomendou esta devoção que nos leva ao encontro do Coração Eucarístico de Jesus. Santa Margarida Maria Alacoque morreu em 1690 e foi canonizada pelo Papa Bento XV em 1920.

Santa Margarida Maria Alacoque, rogai por nós!

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

SANTA TERESA D'ÁVILA - SANTA TERESA DE JESUS


Com grande alegria lembramos, hoje, 15 de outubro, da vida de santidade daquela que mereceu ser proclamada “Doutora da Igreja”: Santa Teresa de Ávila (também conhecida como Santa Teresa de Jesus). Teresa nasceu em Ávila, na Espanha, em 1515 e foi educada de modo sólido e cristão, tanto assim que, quando criança, se encantou tanto com a leitura da vida dos santos mártires a ponto de ter combinado fugir com o irmão para uma região onde muitos cristãos eram martirizados; mas nada disso aconteceu graças à vigilância dos pais.
Aos vinte anos, ingressou no Carmelo de Ávila, onde viveu um período no relaxamento, pois muito se apegou às criaturas, parentes e conversas destrutivas, assim como conta em seu livro biográfico.
Certo dia, foi tocada pelo olhar da imagem de um Cristo sofredor, assumiu a partir dessa experiência a sua conversão e voltou ao fervor da espiritualidade carmelita, a ponto de criar uma espiritualidade modelo.
Foi grande amiga do seu conselheiro espiritual São João da Cruz, também Doutor da Igreja, místico e reformador da parte masculina da Ordem Carmelita. Por meio de contatos místicos e com a orientação desse grande amigo, iniciou aos 40 anos de idade, com saúde abalada, a reforma do Carmelo feminino. Começou pela fundação do Carmelo de São José, fora dos muros de Ávila. Daí partiu para todas as direções da Espanha, criando novos Carmelos e reformando os antigos. Provocou com isso muitos ressentimentos por parte daqueles que não aceitavam a vida austera que propunha para o Carmelo reformado. Chegou a ter temporariamente revogada a licença para reformar outros conventos ou fundar novas casas.
Santa Teresa deixou-nos várias obras grandiosas e profundas, principalmente escritas para as suas filhas do Carmelo : “O Caminho da Perfeição”, “Pensamentos sobre o Amor de Deus”, “Castelo Interior”, “A Vida”. Morreu em Alba de Tormes na noite de 15 de outubro de 1582 aos 67 anos, e em 1622 foi proclamada santa. O seu segredo foi o amor. Conseguiu fundar mais de trinta e dois mosteiros, além de recuperar o fervor primitivo de muitas carmelitas, juntamente com São João da Cruz. Teve sofrimentos físicos e morais antes de morrer, até que em 1582 disse uma das últimas palavras: “Senhor, sou filha de vossa Igreja. Como filha da Igreja Católica quero morrer”.
No dia 27 de setembro de 1970 o Papa Paulo VI reconheceu-lhe o título de Doutora da Igreja. Sua festa litúrgica é no dia 15 de outubro. Santa Teresa de Ávila é considerada um dos maiores gênios que a humanidade já produziu. Mesmo ateus e livres-pensadores são obrigados a enaltecer sua viva e arguta inteligência, a força persuasiva de seus argumentos, seu estilo vivo e atraente e seu profundo bom senso. O grande Doutor da Igreja, Santo Afonso Maria de Ligório, a tinha em tão alta estima que a escolheu como patrona, e a ela consagrou-se como filho espiritual, enaltecendo-a em muitos de seus escritos.


10 CONSELHOS DE SANTA TERESA DE JESUS PARA SERMOS SANTOS EM 
NOSSO DIA-A-DIA


Sim, a santidade é um convite real e possível para todos nós!

Santa Teresa de Jesus, também chamada de Santa Teresa de Ávila, é uma das mais influentes místicas de toda a história da Igreja. É dela um dos mais inspiradores textos que já publicamos sobre a devoção ao grande São José, no qual ela testemunha: “Não me lembro de ter jamais lhe rogado uma graça sem a ter imediatamente obtido“.

Desta vez, apresentamos dez conselhos contidos em seus textos sobre como podemos chegar à santidade dos filhos de Deus, uma meta real e possível, para a qual o próprio Deus nos chama e nos prepara com sua Graça:

1 – Dirige a Deus cada um dos teus atos; oferece-os a Ele e pede-Lhe que tudo seja para Sua honra e glória.

2 – Oferece-te a Deus … muitas vezes por dia, e que seja com grande fervor e desejo de Deus.

3 – Em todas as coisas, observa a providência de Deus e Sua sabedoria; em tudo, dedica a Ele o teu louvor.

4 – Em tempos de tristeza e de inquietação, não abandones nem as obras de oração, nem a penitência a que estás habituado. Antes, intensifica-as e verás com que prontidão o Senhor te sustentará.

5 – Nunca fales mal de quem quer que seja, nem jamais escutes, a não ser que se trate de ti mesmo – e, no dia em que chegares a alegrar-te com isso, muito terás progredido. 

6 – Não digas nunca, de ti mesmo, algo que mereça admiração, quer se trate de conhecimento, de virtude, de condição de berço, a menos que seja para prestar serviço – e, nesse caso, que seja feito com humildade e considerando que tais dons vêm das mãos de Deus.

7 – Não vejas em ti senão o servo de todos, e em todos contempla Cristo, nosso Senhor; assim O respeitarás e O venerarás.

8 – No tocante às coisas que não te dizem respeito, não te mostres curioso, nem de perto, nem de longe, nem mediante comentários, nem mediante perguntas.

9 – Mostra a tua devoção interior só em caso de necessidade urgente. Lembra-te do que diziam São Francisco e São Bernardo: “Meu segredo pertence a mim”.


10 – Cumpre todas as coisas como se nosso Rei estivesse visível; agindo assim, muito ganhará a tua alma.

Santa Teresa de Ávila, rogai por nós!
Fontes: Canção Nova / Aleteia

terça-feira, 13 de outubro de 2015

O QUE ACONTECE NA SANTA MISSA

IGREJA CATÓLICA - A MAIOR INSTITUIÇÃO DE CARIDADE DO MUNDO


A Igreja Católica é a mais antiga instituição da humanidade. Com 1,2 bilhão de fieis, é a maior família religiosa e a maior instituição de caridade do planeta. Segundo revelam os dados do último “Anuário Estatístico da Igreja”, publicado pela Agência Fides por ocasião da Jornada Missionária, a Igreja administra 115.352 Institutos sanitários, de assistência e beneficência em todo o mundo.
Deste número: 
  • 5.167 hospitais (a maior parte na América, 1.493 e 1.298 na África); 
  • 17.322 dispensários, a maioria na África, 5.256, América 5.137 e Ásia 3.760; 
  • 648 leprosários distribuídos principalmente na Ásia (322) e África (229); 
  • 15.699 casas para idosos, doentes crônicos e deficientes – Europa (8.200) e América (3.815); 
  • 10.124 orfanatrófios, principalmente na Ásia (3.980) e América (2.418); 
  • 11.596 jardins da infância, a maior parte na América (3.661) e Ásia (3.441); 
  • 14.744 consultores matrimoniais, distribuídos no continente americano (5.636) e Europa (6.173); 
  • 3.663 centros de educação e reeducação social, além de 
  • 36.386 instituições de outros tipos.

No campo da instrução e da educação, a Igreja administra no mundo: 
  • 68.119 escolas maternais, frequentadas por 6.522.320 alunos; 
  • 92.971 escolas primárias onde estudam 30.973.114 alunos; 
  • 42.495 escolas superiores médias com 17.114.737 alunos. Além disso, acompanha 
  • 2.288.258 jovens de escolas superiores
  • 3.275.440 estudantes universitários.

Com todas essas instituições, a Igreja Católica é um parceiro fantástico na prestação de serviços de saúde das nações pobres. Ela atua em áreas remotas e em favor das camadas mais pobres da população, permitindo- lhes, assim, aceder a esses serviços que de outro modo estariam além do seu alcance. E esse grande trabalho merece reconhecimento e apoio não só dos governos, mas de todo cidadão.

Como a caridade Católica mudou o mundo

No início do século IV, a fome e a doença assolavam exército do imperador Constantino. Pacômio, um soldado pagão, observava com assombro como muitos dos seus compa­nheiros romanos ofereciam comida e assistência aos que precisavam de ajuda, socorrendo-os sem qualquer discriminação. Cheio de curiosidade, quis saber quem eram essas pessoas e descobriu que eram cristãos. Que tipo de religião era aquela, admirou-se, que podia inspirar tais atos de generosidade e humanidade? Começou a instruir-se na fé e, antes de o perceber, já estava no caminho da conversão.(1)

Esse mesmo sentimento de assombro, continuaram a suscitá-lo as obras de caridade catóicas através dos tempos. O próprio Voltaire, talvez o mais prolífico propagandista anti-católico do século XVIII, se mostrou respeitosamente admirado com o heróico espírito de sacrifício que animou tantos dos filhos e filhas da Igreja. “Talvez não haja nada maior na terra – disse ele – que o sacrifício da juventude e da beleza com que belas jovens, muitas vezes nascidas em berço de ouro, se dedicam a trabalhar em hospitais pelo alívio da miséria humana, cuja vista causa tanta aversão a nossa sensibilidade. Tão generosa caridade tem sido imitada, mas de modo imperfeito, por gente afastada da religião de Roma”(2).

Exigiria volumes sem conta elaborar uma lista completa das obras de caridade católicas promovidas ao longo da história por pessoas, paróquias, dioceses, mosteiros, missionários, frades, freiras e organizações leigas. Basta dizer que a caridade católica não tem paralelo com nenhuma outra, em quantidade e variedade de boas obras, nem no alivio prestado ao sofrimento e miséria humanos. Podemos ir mais longe e dizer que foi a Igreja Católica que inventou a caridade tal como a conhecemos no Ocidente.

Tão importante como o puro volume das obras de benemerência é a diferença qualitativa que distinguiu a caridade da Igreja daquela que a havia precedido. Seria tolice negar que os grandes filósofos antigos proclamaram nobres sentimento traduzidos em filantropia; ou que homens de valor fizeram importantes e substanciais contribuições em prol das suas comunidades.

Não obstante, o espírito de caridade no mundo antigo era em certo sentido, deficiente, se compararmos com aquele que foi praticado pela Igreja. A maior parte dos gestos de generosidade nos tempos antigos envolvia um interesse próprio, não eram puramente gratuitos. Os edifícios financiados pelos ricos exibiam ostensivamente os seus nomes. As doações eram feitas de modo a deixar os beneficiários em dívida para com os doadores, ou então atraíam as atenções para as suas pessoas e a sua grande liberalidade. Servir de coração alegre os necessitados e ampara-los sem nenhuma expectativa de recompensa ou reciprocidade, não era certamente o princípio que prevalecia.

Cita-se por vezes o estoicismo – uma antiga escola de pensamento que remonta mais ou menos ao ano 300 a .C. e que permanecia viva nos primeiros séculos da era cristã. Os estóicos ensinavam que homem bom era aquele que, como cidadão do mundo, cultivava o espírito de fraternidade para com seus semelhantes e, por essa razão, parecia ser mensageiro da caridade. Mas também ensinavam que era preciso suprimir os sentimentos e emoções como coisas impróprias de um homem. Rodney Stack diz que a filosofia clássica “considerava a piedade e a compaixão como emoções patológicas, defeitos de caráter que os homens racionais deviam evitar”(3) Assim o filósofo romano Sêneca escreveu:

“O sábio poderá consolar aqueles que choram, mas sem chorar com eles; Não sentirá compaixão. Socorrerá e fará o bem porque nasceu para assistir os seus semelhantes. O seu rosto e sua alma não denunciarão nenhuma emoção quando olhar para o aleijado, o esfarrapado, o encurvado. Só os olhos doentes se umedecem ao verem lagrimas em outros olhos.”(4)

Entre muitos exemplos de estoicismo, ressalta o de Anaxágoras, um homem que, ao ser informado da morte de seu filho, se limitou a observar: “Eu nunca pensei que tivesse gerado um imortal”. Era simplesmente lógico que aqueles homens, tão impermeáveis à realidade do mal, fossem indolentes na hora de aliviar os seus efeitos sobre seus semelhantes: “Homens que se recusam a reconhecer a dor e doença como males – anota um observador – também estavam pouco propensos a aliviá-las aos outros”.(5)

O espírito de caridade na Igreja nasceu da inspiração do próprio ensinamento de Cristo: (Jo 13,34-35; cfr. Ti 4,11). São Paulo afirmou que os cuidados e caridade dos cristãos deviam ser oferecidos mesmo aos que não pertencessem a comunidade dos fiéis, ainda que inimigos da fé: (cfr. Rom 12,14-20; Gal 6,10).

De acordo com William Lecky, critico severo da Igreja, “não se pode sustentar nem na pratica nem na teoria, nem nas instituições fundadas, nem no lugar que a ela foi atribuído na escala dos deveres, que a caridade ocupasse na Antiguidade um lugar comparável aquele que atingiu.

Os pobres e doentes

A prática de oferecer dádivas destinadas aos pobres desenvolveu-se cedo na história da Igreja. Os primeiros cristãos que jejuavam com freqüência, doavam aos pobres o dinheiro que teriam gasto com a comida. São Justino Mártir relata que muitas pessoas que tinham amado as riquezas e as coisas materiais antes de se converterem, agora se sacrificavam de ânimo alegre pelos pobres. Os próprios Padres da Igreja, que legaram um enorme corpo literário e erudito a civilização ocidental, encontraram tempo para se dedicarem pessoalmente ao serviço dos seus semelhantes. São João Crisóstomo fundou uma série de hospitais em Constantinopla. São Cipriano e Santo Efrém empenharam-se em promover obras de assistência em tempos de fome e de epidemias.

A Igreja primitiva institucionalizou a atenção às viúvas e aos órfãos, bem como aos enfermos, especialmente durante as epidemias. No século III, São Cipriano, bispo de Cartago, repreendeu a população pagã porque, em vez de ajudar as vítimas da praga, as saqueava. Esse Padre da Igreja conclamou os cristãos a mobilizar-se para assistir os doentes e enterrar os mortos. No caso de Alexandria, o bispo Dionísio relatou que os pagãos “repeliam os que começassem a ficar doentes, afastavam-se deles, mesmo que se tratasse dos amigos mais queridos”. Em contraste, relatou que muitos cristãos “não fugiam de amparar-se uns aos outros visitavam os doentes sem pensar no perigo que corriam e serviam-nos assiduamente”.

Santo Efrém é lembrado pelo seu heroísmo quando a fome e a peste se abateram sobre Edessa, a cidade em cujos arredores vivia como eremita. Não apenas coordenou a coleta e distribuição de esmolas, mas também fundou hospitais, cuidou dos doentes e dos mortos. Eusébio, o historiador da Igreja do século IV, conta-nos que, como resultado do bom exemplo dos cristãos, muitos pagãos “se interessaram por uma religião cujos discípulos eram capazes de uma dedicação tão desinteressada”. Juliano, o Apóstata, que odiava o cristianismo, lamentou a bondade dos cristãos para com os pagãos: “Esses ímpios galileus não alimentam apenas os seus próprios pobres, mas também os nossos.”

Os primeiros hospitais e os cavaleiros

Discute-se se existiram na Grécia e em Roma instituições semelhantes aos nossos hospitais. Muitos historiadores põem­-no em dúvida, enquanto outros apontam alguma rara exceção aqui e acolá, mas mais para cuidar dos soldados doentes ou fe­ridos do que da população em geral. Parece dever-se a Igreja a fundação das primeiras instituições atendidas por médicos, on­de se faziam diagnósticos, se prescreviam remédios e se contava com um corpo de enfermagem (6).

No século IV, a Igreja começou a patrocinar a fundação de hospitais em larga escala, de tal modo que quase todas as principais cidades acabaram por ter o seu. Na sua origem, esses hospitais tinham por fim hospedar estrangeiros, mas de­pois passaram a cuidar dos doentes, viúvas, órfãos e pobres em geral (7).

Como explica Guenter Risse, os cristãos ultrapassaram “a recíproca hospitalidade que prevalecia na antiga Grécia e as obrigações familiares dos romanos” para cuidarem de atender “grupos sociais marginalizados pela pobreza, doença e idade” (8). No mesmo sentido, o historiador da medicina Fielding Garrison observa que, antes do nascimento de Cristo, “O espírito com que se tratava a doença e o infortúnio não era o de compaixão, e cabe ao cristianismo o crédito pela solicitude em atender o sofrimento humano em larga escala” (9).

Em um ato de penitência cristã, uma mulher chamada Fabíola fundou o primeiro grande hospital público em Roma; percorria as ruas em busca de homens e mulheres pobres e enfermos necessitados de cuidados (2110).

São Basílio Magno, conhecido pelos seus contemporâneos como o Apóstolo das Esmolas, fundou um hospital em Cesárea, no século IV. Era co­nhecido por abraçar os leprosos miseráveis que ali buscavam alívio. Não é de surpreender que os mosteiros também desempenhassem um papel importante no cuidado dos doentes (11). De acordo com o mais completo estudo da história dos hospitais:

“Após a queda do Império Romano, os mosteiros torna­ram-se gradualmente provedores de serviços médicos organizados, dos quais não se dispôs por vários séculos em nenhum lugar da Europa. Para prestar esses cuidados práticos, os mosteiros tornaram-se também lugares de ensino medico entre os séculos V e X” (12).

As ordens militares, fundadas durante as Cruzadas, administravam hospitais por toda a Europa. Uma dessas ordens, a dos Cavaleiros de São João (também conhecidos como hospitalários). Fundou um hospital em Jerusalém no qual atendia pobres e peregrinos. Segundo um sacerdote alemão “A casa alimentava tantas pessoas, de fora e de dentro, e dava tão grande quantidade de esmola aos pobres.” Teodorico de Wurzburg, maravilhou-se de que “andando pelas dependências do hospital, não conseguíamos de modo algum avaliar o número de pessoas que lá jaziam, pois eram milhares as camas que víamos. Nenhum rei ou tirano teria poder suficiente para manter o grande número de pessoas alimentadas diariamente naquela casa”(13).

Diz Gunter Risse: “A existência de uma ordem religiosa que manifestava com tanto ardor a sua lealdade aos doentes inspirou a criação de uma rede de instituições similares, especialmente nos portos da Itália e do sul da França…”

As obras de caridade cató1icas foram tão impressionantes que ate os próprios inimigos da Igreja, muito a contragosto, tiveram de reconhecê-lo. O escritor pagão Luciano (130-200) observou com espanto: “E inacreditável a determinação com que as pessoas dessa religião se ajudam umas as outras nas suas necessidades. Não se poupam em nada, o seu primeiro legislador meteu-lhes na cabeça que eles eram todos irmãos!”[14]

Juliano, o Apóstata, o imperador romano que, nos anos 360, fez a violenta, mas frustrada, tentativa de fazer o Império retornar ao seu primitivo paganismo, admitiu que os cristãos se avantajavam aos pagãos no seu devotamento às obras de caridade. “Enquanto os sacerdotes pagãos negligenciam os pobres – escreveu -, os odiados galileus [isto é, os cristãos] devotam-se às obras de caridade e, em um alarde de falsa compaixão, introduzem com eficácia os seus perniciosos erros. Vede os seus banquetes de amor e as suas mesas preparadas para os indigentes. Tal prática é habitual entre eles e provoca desprezo pelos nossos deuses”[15].

Martinho Lutero, o mais inveterado inimigo da Igreja Católica até o fim da vida, viu-se obrigado admitir: “Sob o Papado, o povo era ao menos caridoso e não havia necessidade de recorrer à força para obter esmolas. Hoje sob o reinado do Evangelho (com isso, referia-se ao protestantismo), em vez de dar, as pessoas roubam-se umas as outras, parece que ninguém julga possuir alguma coisa enquanto não se apropria dos bens do vizinho”[16].

O economista do século XX Simon Patten observou a propósito da ação da Igreja: “Na Idade Media, era muito comum dar comida e abrigo aos trabalhadores, tratar com caridade os desafortunados e aliviá-los das doenças, das pragas e da fome. Quando vemos o número de hospitais e enfermarias, a magna­nimidade dos monges e o sacrifício pessoal das freiras, não po­demos duvidar de que os marginalizados daqueles tempos eram pelo menos tão bem assistidos como os de agora”[17].

Fre­derick Hurter, um biógrafo do papa Inocêncio III no século XIX, chegou a declarar: “Todas as instituições de beneficência que a raça humana possui hoje em dia para minorar a sorte dos desafortunados, tudo o que tem sido feito para socorrer os indigentes e os aflitos nas vicissitudes das suas vidas e em qualquer tipo de sofrimento, procede direta ou indiretamente da Igreja de Roma. Ela deu o exemplo, perseverou na sua tare­fa e, com freqüência, proporcionou os meios necessários para leva-la a cabo”[18].

A extensão das atividades caritativas da Igreja aprecia-se às vezes com mais clareza quando deixam de existir. Na Inglater­ra do século XVI, por exemplo, o rei Henrique VIII (separou da Igreja Católica) suprimiu os mosteiros e confiscou-lhes as propriedades, distribuindo-as a preço de banana entre os homens influentes do seu reino. O pretexto para essa medida foi que os mosteiros se haviam tor­nado fonte de escândalo e imoralidade, embora restem poucas dívidas de que tais acusações fantasiosas não faziam mais do que dissimular a cobiça real. As consequências sociais da dis­solução dos mosteiros devem ter sido muito significativas. Os Levantes do Norte de 1536, uma rebelião popular também co­nhecida como a Peregrinação da Graça, tiveram muito a ver com a ira popular causada pelo desaparecimento da caridade monástica. Em uma petição dirigida ao rei dois anos mais tar­de, observava-se:

“A experiência que tivemos com a supressão dessas ca­sas mostra-nos claramente que se provocou e continuará a provocar-se neste reino de Vossa Majestade um grande mal e uma grande deterioração, assim como um grande empobrecimento de muitos dos vossos humildes súditos.”

Referências

(1) Alvin J. Schmiclt, Under the Influence: How Christianitv Transformed Civilization, Zonclcrvan, Grancl Rapids, Michigan, 200 I, pag .. J 30.
(2) Michael Davies, For Altar and Throne: The Rising in the Vendee, Rill nant Press, St. Paul, Minnesota, 1997, pag. 13.
(3) Vicent Carroll e David Shiflett, Christianity on Trial, Encounter Books, San Francisco, 2001, pág. 142.
(4) William Edward Hartpole Lecky, History of European Morals from Augustus to Charlemagne, vol. 1, D. Appleton and Co., New York, 1870, págs. 199-200.
(5) Ibid., pág. 202.
(6) Alvin J. Schmidt, Under the Influence, págs. 153-5.
(7) John A. Ryan, “Charity and Charities”, em Catholic Enciclopedia; Guenter B. Risse, Mending Bodies, Saving Souls: A History of Hospitals, Oxford University Press, New York, 1999, págs. 79 e segs.
(8) Guenter B. Risse, Mending Bodies, Saving Souls, pág. 73.
(9) Fielding H. Garrison, An Introduction of the History of Medicine, W.B.
Saunders, Philadelphia, 1914, pág. 118; citado em Alvin J. Schmidt, Under the Influence, pág. 131.
(10) William E.H. Lecky, History of European Morals from Augustus to Charlemagne, vol. I, pág. 85.
(11) Roberto Margotta, The History of Medicine, Paul Lewis, cd., Smith­mark, New York, 1996, pág. 52.
(12) Guenter B. Risse, Mending Bodies, Saving Souls, pág. 95.
(13) Ibid., pág. 138.
[14] Vincent Carroll e David ShiOett, Christianity on Trial, pag. 143.
[15] Cajctan BaluFri, The Charity or the Church, pag. 16.
[16] Ibid., rag. 185.
[17] Citado em John A. Ryan, “Chal’ity and Charities”, em Catholic Ency­clopedia.
[18] Cajetan Baluffi, The Charity or the Church, pag. 257.